quinta-feira, 13 de março de 2008

O mítico pudim do avô!

O avô era de uma geração em que os homens não entravam na cozinha. E ele não fugia a essa regra.


Mas como todas as regras que se prezam, esta tem uma excepção: o meu avô ía à cozinha para fazer pudim. Não me perguntem porquê nem porque não. Qual a origem desse ritual que conduziu a que pudim na Casa da Maia era feito pelo Zeca da Maia? Não sei.

Simplesmente sei que era um pudim delicioso, amarelinho e cremoso, com caramelo por cima. Recordo-me, pouco, quase nada, de ver o avô a fazê-lo, mas tenho uma remota recordação de ver laranjas ou sumo de laranja a ser preparado para entrar na receita. Enfim, se não for segredo de família, pedirei à minha mãe que me dê a receita para vir para aqui. Mas enfim, como bem se pode depreender, o pudim do avô era, como quase tudo o que o envolvia, mítico.


Mas o misticismo do pudim do avô tem alguns detalhes que vale a pena revelar aqui. O primeiro é que eu não conhecia qualquer outro tipo de pudim. Quando comecei a ouvir falar de pudins de ovos, pudins Abade de Priscos, pudins disto ou daquilo, para mim isso era chinês. Eu só conhecia o pudim do avô e ainda hoje não sei se era um pudim de ovos ou de outra coisa qualquer. Apenas sei que quando tenho acesso a algum daquele género, o identifico imediatamente como sendo "aquele". E qualquer outro tipo de pudim não me sabe a nada, por melhor que seja.

Na minha inocência infantil, um dia na casa de uns amigos dos meus pais fiz uma cena com piada daquelas que de vez em quando quando se está a recordar coisas de família vêm à baila. A dona da casa ofereceu-me... o que mais poderia ser...???... pudim. Eu virei-me para a minha mãe e perguntei:

- Oh mãe o pudim foi feito pelo avô?

- Não, filho - obviamente naquele contexto não poderia ser.

- Então não quero, só como pudim do meu avô, rematei eu.

Mas a parte mais engraçada do mito é que, ao que parece, o pudim do meu avô praticamente não era feito por ele. Segundo me contaram quando já era mais velhinho o avô apenas intervinha numa das fases da confecção e não, como eu julgava e como a sua designação faria supor, em toda ela.

Mas, ainda assim, aquele pudim continua a ser o pudim do avô.

1 comentário:

Ceci disse...

olá, encontrei seu blog no Nagba,
e gostei da conversa sobre o avõ, que tem como fundo a MEMÓRIA DA INFANCIA, AS MEMÓRIAS QUE GUARDAMOS DENTRO DE NÓS, IMPRESSAS NO TEMPO.
MUITO LEGAL ESSE PUDIM MÍTICO.
BOM DOMINGO
Ceci (do Brasil)